Café com Letras #16 - Angel Glória



Qual das três seria a melhor parceira, pra você?

No quarto de Maria você não encontra nada fora do lugar, suas roupas são todas organizadas por cores e no seu escritório ela é sempre a funcionária do mês, mas Maria não liga pros filhos e deixa eles ao cuidado de uma babá qualquer, que até bate nas crianças constantemente. 

Júlia tem mais apreço pela vida da filha do que pela própria, cuida da garotinha com o maior cuidado e dá pra ela qualquer coisa que lhe interesse, mas ela mal sabe fritar um ovo e a sua casa é uma bagunça tão grande que o marido a deixou. É uma mulher amargurada.

Ana é bem sucedida no seu trabalho, organizada, ótima mãe e esposa. Faz inglês, informática, gastronomia e cuida bem até do gato, mas vez ou outra ela bebe, usa drogas e só volta pra casa três dias depois. Sua família finge que nada acontece.

O que as três têm em comum? São seres humanos. E nenhum ser humano é perfeito. Todo mundo tem um "porém". 
Dizia Cazuza, a gente vive em busca de uma tal perfeição que não existe, e não existe mesmo. Por mais que a nosso ver algumas pessoas aparentem escandalosamente felizes e perfeitas, nesse pouco tempo de vida não consegui conhecer ninguém que, de fato, fosse e não creio que vá chegar a conhecer. Perfeição é um conceito tão abstrato, criado por nós mesmos e no máximo, o que pode existir são pessoas que pegam o insight da vida que é tentar manter o equilíbrio com tudo ao seu redor. E é por isso que são felizes. E é por isso que aparentam tão bem. 

No limiar dos pensamentos, se for pra andar por aí procurando uma pessoa perfeita essa busca incessante nunca vai ter fim, e o que se deve procurar, de verdade, é tentar alcançar a perfeição (nos seus limites) em si mesmo sem precisar do outro pra isso. O que um parceiro(a) deve ter pra te agradar é um conjunto das qualidades que você aprecia em alguém. E não a perfeição em todos os sentidos. Porque ela não existe.

Texto de Angel Glória