Café com Letras #15 - Marcelo Vinicius


“Homem Robô”

Aos poucos vou destruindo minha armadura psíquica, criada pelo meu superego que impede de alguma forma, desfrutar-me de uma bela vida real.

Essa armadura torna-me mais um escravo da sociedade, que quer viver e amar, que corre atrás disso, mas desiste antes do meio do caminho.

Nasci feliz, livre e ingênuo, mas a rotina da sociedade me robotizou; meu cérebro guarda muitas informações complexas, importantes, fórmulas matemáticas e esquemas de redação, mas é isento de sabedoria e sentimento, assim como um HD.

Na medida que destruo essa armadura robótica que me domina, me sinto mais forte, e com medo.

Essa armadura fez-me acreditar que sem ela não há vida, não há segurança, amor, alegria e satisfação.

A conexão tornou-me um cego que tudo vê, vejo tudo e não vejo nada, converso com todos, mas não falo com ninguém, sei de quase tudo, só que não sei de nada.

Meu corpo se tornou um hardware, uma máquina de tarefas, minha mente é um software que manda meu corpo trabalhar, trabalhar e trabalhar. Produzir!

Aos poucos me desconecto, aos poucos retiro a virtualidade de mim, aos poucos torno-me orgânico novamente. Não deixarei essa armadura psíquica me enganar por mais tempo, basta!

Chega de ser um homem robô, desrobotizando-me estou, desrobotizar minha vida irei.