Gelatina feita com DNA humano vira polêmica, mas pode ser uma boa alternativa


A gelatina é um ingrediente essencial em guloseimas grudentas e marshmallows, e também em injeções e cápsulas de remédios.
Fabricá-la é um processo bagunçado e relativamente complicado, mas agora os cientistas querem criar uma gelatina com o DNA humano. Mas existe um obstáculo: a nossa própria característica enjoativa. Oi?
 No ano passado (2011), cientistas em Pequim relataram um método de criar grandes quantidades de gelatina por meio da inserção de fragmentos de DNA humano em fermento. Já faz algum tempo que o nosso DNA é usado em gelatinas, no caso das vacinas e em muitas cápsulas de medicamentos. O método cria quantidades tão grandes de gelatina que seria prático  usá-lo para outros produtos como doces e suplementos de cozinha.
A proposta é ainda mais brilhante se pensarmos em como ela evita uma série de problemas inerentes à produção de gelatina “natural”. É incrivelmente difícil conseguir resultados consistentes ao fabricar gelatina, e a consistência é muito importante para vacinas.
 Como a gelatina é proveniente de produtos de origem animal, ela pode causar reações alérgicas a alguns indivíduos. Sem mencionar aqueles que simplesmente evitam o consumo do produto devido às suas convicções religiosas ou éticas a respeito do consumo de qualquer coisa que seja de origem animal.
 O possível consumo de DNA humano levantou questões higiênicas, mas segundo o Dr. David Olsen, cientista sênior na FibroGen, especializada em gelatinas recombinantes: “Há um grau muito alto de similaridade entre gelatina que vem de uma vaca, um porco, e um humano. Então devido a essas similaridades, não consigo ver porque haveria um risco de saúde nela. É uma proteína muito similar ao que as pessoas vêm ingerindo por muitos anos”, declarou ao The Telegraph.
Apesar de tudo isso, quase todo meio de comunicação cobriu essa história com títulos que traziam, basicamente, a ideia de “eca, que nojo!”. Aqui vão algumas palavras e frases encontradas em uma pesquisa sobre o assunto em língua inglesa: “macabro”, “canibalismo”, “programa de ficção científica sobre clones humanos escravizados”. Um escritor chegou a comparar a ideia aos polêmicos sorvetes feitos com leite materno.
Mas o negócio é o seguinte – gelatina derivada de DNA humano não é feito com tecidos humanos de forma alguma. É pura química. E a gelatina do supermercado, como é feita? Fervendo uma mistura de subprodutos animais como pele de porco, ossos de gado, etc.
Sendo assim, seria algo realmente “horrível” usar um pouco de ácidos nucleicos de origem humana?